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A cidade é mesmo um amontoado de curiosidades. Digo, de coisas absolutamente normais que despertam nossa curiosidade. Pensei nisso ontem, subindo um escadão.
Os escadões me são comuns desde a infância, por motivos sociais e geo topográficos (nem sei se existe essa expressão). Moro em Minas desde que nasci, e não há um lugar para onde eu decida ir que não esbarre numa montanha, exceto em regiões centrais, que ficam naturalmente perto dos rios, na parte baixa das cidades, portanto. Como nunca fui rico, meus passeios eram mais nas periferias, onde os escadões são comuns.
Fazendo essa rápida análise, percebi que nunca tinha visto um escadão sendo feito. Eles simplesmente estão lá, desde sempre. Posso até fazer um exercício imaginativo, no qual parto de uma trilha aberta no meio do mato, íngreme e irregular. Depois vêm os operários e cimentam degraus desiguais sobre a terra, por onde passarão trabalhadores e onde as crianças brincarão com as águas da chuva. Mas, mesmo imaginando tudo isso - e que não deve estar errado - eu nunca VI um sendo feito. E, pensando bem, não são só os escadões. Hidrantes, armários telefônicos, galerias subterrâneas e semáforos são outros bons exemplos do que a gente vê, mas nunca quando e como foram plantados por aí.
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Interessante também é pensar em um dia em que o trânsito está visceralmente engarrafado, e você é um dos motoristas agarrados em meio àquela quantidade absurda de carros e buzinas. Já parou pra pensar nos sujeitos que dirigem os carros que estão lá no começo? Tipo, no principiozinho do engarrafamento?
Acredito que, inconscientemente, todos pensam, quando socamos o volante e dizemos "esses barbeiros lerdos atravancando o trânsito", sem se importar se os pobres tem culpa mesmo.
É claro que os engenheiros de trânsito sabem o que acontece e explicam tudo, explicações que envolvem "gargalos" e outros termos que ninguém leva em consideração quando se trata apenas de odiar os tais motoristas da frente, ódio esse que se manifesta em forma de buzinas incessantes. Você não levará em consideração também que, dentro de minutos, uma longa fila de motoristas atrás de si o odiará ardentemente, através de buzinas que o irritará profundamente e o fará soltar a clássica "passa por cima", um ciclo que parece interminável, mas que termina, quando o trânsito se acalma e o engarrafamento acaba.
Aliás, como um engarrafamento acaba?
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